Por uma última vez decidi falar da comunicação social nacional e a sua relação com a política, apesar de estar cansado deste tema.
Todos os dias que abro um jornal vejo notícias sobre política, não me espanta visto que estamos em período pré-eleitoral. Fico até feliz de ver essa secção, pois é uma área pela qual tenho vindo a desenvolver algum interesse.
O que me desilude é o facto de cada vez que estou a ler o jornal surgem cerca de 2 a 3 notícias sobre cinco partidos que neste momento têm assento parlamentar e nenhuma (ou quase nenhuma) sobre outros partidos que existem em Portugal. Ainda mais, a grande parte dessas notícias apenas retratam ataques políticos e nada de novo trazem à nossa política. Em vez de vermos soluções, ou ideias, para a resolução dos problemas da sociedade portuguesa, vemos ataques inter-partidos e por vezes até intra-partidos.
Este forma de pensar tem afastado sucessivamente os portugueses da política. Não faz com que os eleitores acreditem mais no partido X ou Y, faz com que os portugueses não acreditem pura e simplesmente em nenhum dos partidos.
Na minha opinião a política devia de ser uma forma de construir algo melhor, um país melhor. Apesar das diferenças entre os partidos, todos juntos serem capazes de se ouvir e criar modelos de inovação para o bem comum de todos. Fazer com que os eleitores votassem neles pelo que conseguem construir, e pelo que trabalha melhor.
Mas o facto é que os políticos dos grandes partidos gostam de se auto-mutilar. E andarem em guerra constante entre eles, fazendo com que a Assembleia da República pareça um circo. O mais revoltante é que são entusiasmados pelos meios de comunicação social nacionais. Dão-lhes todo o tempo do mundo, descartando os partidos pequenos que por vezes apresentam propostas interessantes sobre os problemas do país.
Temos como exemplo a notícia do jornal Público de dia 23 que tinha como manchete “O que têm para oferecer os centros de emprego?”, ao longo da notícia não existia qualquer referência, mas o programa eleitoral do MEP possuí propostas muito interessantes sobre este assunto que podiam ter sido referidas.
É claro que qualquer referência que os media façam aos pequenos partidos podem fazer com que os eleitores comecem a acreditar nesses partidos e que deixem de votar nos partidos grandes… Não o fazerem retira, como é óbvio, a possibilidade de os pequenos partidos serem conhecidos.
Até num estudo que foi apresentado no fim-de-semana passado pelo jornal Expresso, existiam possibilidades de um pequeno partido ter um deputado eleito pelo círculo eleitoral de Lisboa. O que é incrível é que essa hipótese foi mascarada por uma misteriosa sigla OP/B/N. Parece-me óbvio que o B e o N simbolizam, respectivamente, brancos e nulos, votos esses que não têm qualquer significado na distribuição de deputados. Resta o OP que, provavelmente, significa Outro Partido, a questão é qual? Qual é o medo de divulgar um outro partido? Não é certo qual seja, mas deve haver algum que seja favorito no estudo, que leve a essas conclusões.
Esta forma de jornalismo só faz com que a política seja cada vez mais denegrida e só faz mal ao país.
Existe uma petição, lançada pelo MEP, dirigida aos jornalistas para que os partidos sejam tratados em igualdade de oportunidades. Não se pretende que se ande a medir com fita métrica os artigos de jornal, ou se cronometre as notícias na televisão ou rádio, mas sim que se mostre o que os partidos fazem de bom e se descarte um pouco os ataques que vemos constantemente entre os partidos.
Desculpem o desabafo, estou um pouco farto deste assunto, mas gostava de ter qualidade de informação. Será pedir muito?